quinta-feira, 9 de maio de 2013

Governo britânico protegerá direito à autodeterminação de Falklands e Gibraltar


O governo britânico prometeu nesta quarta-feira a proteção do direito de autodeterminação dos habitantes das ilhas falklands e de Gibraltar, dois territórios reivindicados respectivamente por Argentina e Espanha, em um discurso solene lido pela rainha Elizabeth II.

O anúncio foi feito durante o chamado "Discurso do Trono", no qual a soberana apresenta com grande pompa na Câmara dos Lordes o programa legislativo do governo para a próxima sessão parlamentar.

— Meu governo irá garantir a segurança, a boa governança e o desenvolvimento dos territórios de ultramar, incluindo a proteção do direito dos habitantes das Falklands (malvinenses para os argentinos) e dos gibraltarinos de determinar seus futuros políticos — declarou a soberana.

Esta é a primeira vez em ao menos duas décadas que um governo britânico faz com que a rainha mencione a disputa de soberania com a Argentina pelas Ilhas Falklands.

A referência é feita num momento de tensão diplomática entre os dois países devido a este arquipélago do Atlântico Sul sob controle britânico desde 1833, que deu lugar a uma curta, mas sangrenta guerra em 1982.

A presidente argentina, Cristina Kirchner, realiza há dois anos uma agressiva campanha internacional para exigir da Grã-Bretanha um diálogo bilateral sobre o arquipélago sem a participação dos ilhéus, que em março votaram de forma esmagadora (99,8%) em um referendo a favor de continuar sendo um território de ultramar britânico.

O governo espanhol, por sua vez, exige há anos a soberania sobre Gibraltar, um estratégico enclave situado no sul da península ibérica, cedido pela Espanha ao Império Britânico em 1713 pelo Tratado de Utrecht.

As tensões entre a Espanha e a Grã-Bretanha também aumentaram no ano passado, quando os dois países mantiveram uma forte disputa sobre os direitos de pesca ao redor do território.

Londres convocou em novembro o embaixador espanhol, Federico Trillo, para pedir a ele que a Espanha detivesse as "incursões provocadoras" em suas águas, após vários incidentes entre embarcações de ambos os países.

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