quarta-feira, 8 de maio de 2013

Empreendedor estrangeiros se rende aos atrativos brasileiros

O empreendedor sueco Johan Jonsson: casamento com uma brasileira facilitou as coisas


Boa performance do país durante a crise e aumento da massa consumidora atraem empresários de fora.

Com uma performance relativamente melhor que a de muitos países durante a crise financeira internacional, o Brasil entrou no radar dos empreendedores estrangeiros.

Embora não haja um mapeamento oficial do número de empresas abertas, o Ministério do Trabalho e Emprego informou que no primeiro semestre de 2012 os estrangeiros pessoa física aplicaram R$ 107,80 milhões no Brasil, uma alta de 32% sobre os R$ 81,79 milhões registrados no mesmo período de 2011.

De acordo com o professor de Empreendedorismo do Ibemec, Eduardo Bonomo, o que atrai esses empreendedores é a situação em que o Brasil se encontra em relação a outros países. "É um local atraente, uma economia que está aquecida, trabalhou com pleno emprego um bom período durante a crise. Enfim, é uma conjuntura favorável para a abertura de empreendimento", comenta.

Um dos casos de estrangeiros que vieram ao país no recente boom é o do sueco Svante Westerberg. Em 2004, ele abriu uma consultoria, depois tornou-se sócio da Braspag - empresa comprada pela Cielo - e então fundou a MaxiPago, que oferece soluções de pagamento com padrões de processamento global.

Westerberg conta que a maioria das pessoas subestima a dificuldade de fazer negócios no Brasil. Ainda assim, a demanda e oportunidades oferecidas pelo país o tornam atrativo. O sueco estabeleceu uma meta agressiva de ter 30% do mercado de soluções de pagamento para e-commerce até o final de 2013.

Outro sueco que veio se aventurar nos trópicos foi Johan Jonsson, fundador do Agente Imóvel, portal que disponibiliza informações sobre o mercado imobiliário, além de busca para compra e aluguel de imóveis.

Após tirar um ano sabático, Jonsson terminou sua viagem no Brasil. E decidiu voltar para morar no país. Quando se mudou, passou o primeiro ano estudando português e o mercado financeiro local.

Com experiência em internet e corretoras, o sueco percebeu que as informações sobre imóveis para aluguel estavam disponíveis apenas em jornais; além disso, não havia fontes para comparação de preços.

Em 2008, ele montou o portal Agente Imóvel ao estilo "Vale do Silício": em sua própria casa. Hoje, a empresa tem 14 funcionários e está perto de bater um milhão de usuários por mês. Mas não foi tão fácil.

"A demora para abrir conta bancária, uma empresa, dificulta. E sendo estrangeiro, o tempo dobra. Para mim foi mais fácil porque casei com uma brasileira", lembra. "Mas quando estava esperando a identidade brasileira, o sobrenome do meu pai estava errado. Demorou um ano e meio para refazer o documento e sem isso não se podia abrir a empresa".

De acordo com Paulo Melchor, consultor do Sebrae-SP, há duas formas do empreendedor estrangeiro entrar no Brasil.

A primeira é abrir uma filial, após obter autorização do governo, e a segunda é obter um visto permanente e abrir uma empresa brasileira - ou seja, que tenha sede no Brasil e seja constituída sob a legislação nacional. Melchor também cita a concessão de vistos permanentes para estrangeiros que venham trabalhar em cargos de chefia.

O francês Jean-Luc Senac se enquadra nesse caso. Há nove anos, quando estava empregado por uma empresa francesa no país, Senac decidiu tornar-se seu próprio chefe.

"Quando cheguei na idade dos 30, pensei o que eu queria fazer da vida. Eu já tinha vontade de montar uma empresa, encontrei aqui uma oportunidade".

Segundo ele, o único obstáculo a mais que os estrangeiros têm para abrir uma empresa no Brasil é conseguir o visto. Como já possuía os documentos, não teve tantos problemas. Assim, abriu a Saúde Service no final de 2003.

Com um crescimento médio de 63% ao ano, é focada em meios de pagamentos no setor de saúde. A experiência deu tão certo, que ele decidiu fundar a Evolucard, que vincula cartão de crédito ao celular.

Como Senac, diversos estrangeiros vêm ao Brasil. De acordo com dados do MTE, entre janeiro e junho de 2012, foram concedidas 32.913 autorizações de trabalho a estrangeiros, a maioria dos Estados Unidos e para a região Sudeste.

Porém, ainda faltam incentivos, fato que é notado por todos os entrevistados. Como resume Westerberg, "o Brasil está indo muito bem, apesar de si mesmo. Imagine se houvesse políticas que estimulem o investimento. O Brasil passaria a China".


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