quarta-feira, 8 de maio de 2013

A imigração Sérvia no Brasil / Serbian immigration in Brazil


Este trabalho tem por objetivo expor a trajetória de imigrantes originários da Sérvia, que
aportaram no Brasil nas décadas de 40 e 50, especialmente na cidade de São Paulo. O momento enfocado
coincide com o final da 2ª Guerra Mundial e o conseqüente advento ao poder do comunismo no Leste
Europeu. Nesse período, a instalação do regime comunista na Iugoslávia desferiu uma maciça campanha
de perseguição aos oponentes políticos. Para se compreender os motivos da imigração é importante
conhecer o contexto do local de origem dos estrangeiros na época em que buscavam um novo país para
viver



Apresentação 

Em finais dos anos 40 inicia-se no bairro paulistano do Bom Retiro a formação de uma pequena comunidade; a maioria veio ao Brasil após uma sofrida trajetória de fuga. Esses imigrantes eram originários da Sérvia, na época uma região da antiga Iugoslávia. O presente trabalho propõe registrar a memória dessa 
imigração. Lembranças da guerra, perseguições políticas, o abandono de sua terra natal, a vida no Brasil, a 
formação da colônia, são os principais elementos de estudo dessa pesquisa. Metodologia 
Para a realização do trabalho serão feitas entrevistas com os próprios imigrantes e/ou com familiares e descendentes que registraram em suas memórias relatos enriquecedores. 
As informações serão arquivadas e os testemunhos orais dos agentes históricos transcritos fielmente. 
Dados estatísticos e quantitativos serão adquiridos no Museu da Imigração em São Paulo. As fontes secundárias, tais como livros ou artigos, serão lidas e fichadas. 

Discussão 

Terminada a 2ª Grande Guerra, a Iugoslávia de 1945, país que abrigava a Sérvia (e também 
Eslovênia, Bósnia, Macedônia, Croácia e Montenegro) vivia um momento de indiscutível estabilidade social após o advento do regime comunista (Aguilar, 2006, 62). A implantação do 
sistema de autogestão econômica pelo Marechal Josif Broz, mais conhecido como Tito, fez da Iugoslávia um dos países socialistas mais desenvolvidos do Leste Europeu. Determinado a obter a industrialização em
ritmo acelerado, o titoísmo, conhecido internamente como socialismo-autogestionário,
incentivou a participação dos trabalhadores nas decisões tomadas em suas empresas; a partir de então, operários e funcionários burocráticos receberam permissão para organizar-se em coletivos de debate sobre normas de trabalho e metas de produção (Brener, 1993, 62). Esse sistema de autogestão implantado por Tito caracterizou a economia iugoslava por décadas. O princípio fundamental do titoísmo é o de que o
socialismo deve ser atingido de acordo com as condições políticas, culturais, históricas e geográficas particulares de cada país, e não imposto por orientações externas. Isto foi usado para recusar a imposição de diretrizes à Iugoslávia por parte da União Soviética. O Marechal Tito não aceitou a política do Cominform de submeter os partidos comunistas dos países membros à orientação de Moscou e rompeu com ele, fundando o Informbiro, entidade que durou até 1955 (Hobsbawn, 1987, 57).


No caso específico iugoslavo, Tito tinha bastante margem moral para esse tipo de manobra, já que durante a Segunda Guerra Mundial a Iugoslávia não foi libertada dos nazistas pelo Exército Vermelho, como a maior parte do Leste Europeu, mas sim pela resistência armada de combatentes patriotas (partizans) comandados
pelo marechal. Certamente, aos vitoriosos couberam as beneses da burocracia estatal.


(Hobsbawn, 1987, 57). Se por um lado o modelo impulsionou vertiginosamente o crescimento da indústria
nacional, por outro lado disseminou um regime privilegiando os comunistas e perseguição aos
não alinhados (Brener, 1993, 60). A essas pessoas, uma das alternativas foi o exílio. Dentro dessa conjuntura, o trabalho busca explicações para esses sujeitos históricos terem decidido abandonar sua terra natal, deixando para trás sua família, seus amigos e toda sua história, partindo para um lugar totalmente ignorado, na maioria das vezes sem dinheiro, sem conhecer os costumes e, talvez o fator mais complexo, sem reconhecer uma palavra em português. Em meio a tantas dificuldades a serem enfrentadas, quais
seriam os reais problemas motivadores da fuga? O trabalho procura ligar o relato dos imigrantes
sérvios com o contexto histórico vivido pela Iugoslávia em 1945. Alguns relatos demonstram essas dificuldades. Entrevista concedida pela descendente de sérvios
em São Paulo, Sra. Marie Schokalsky, tradutora, 61 anos, descreve que a decisão de seu pai deixar
seu país foi um momento muito difícil em sua vida. Seu pai, Zoran Ivatković, abandona a Iugoslávia em 1944 ainda em meio a guerra. Primeiramente esteve na Áustria, onde conheceu uma polonesa
estudante de Filosofia com quem se casou. Rumaram para a França, onde em 1947 a Sra. Marie nasceu. Amedrontados pela instabilidade política na Europa e o crescimento do domínio soviético na região, decidiram vir para o Brasil. As perspectivas eram desconhecidas.


Seu pai e sua
mãe nesses tempos já dominavam o idioma
francês, o que facilitou a o aprendizado da Língua
Portuguesa. A entrevistada descreve que sua
família foi recebida com cordialidade pelos
brasileiros, que tentavam segundo suas palavras,
ajudar os imigrantes da melhor forma possível. Já
havia sérvios em São Paulo, que também os
ajudaram em busca de empregos, acomodações,
e círculos de amizades onde pudessem se reunir
com outros imigrantes da Sérvia. A mesma
colocação é feita por outro entrevistado, Sr. Siniša
Vojvodić, aposentado, 81 anos, ex-combatente do
exército iugoslavo. Ele conta que chegou ao Brasil
somente em 1958, no entanto parte de sua família
já residia em São Paulo desde 1946.
A imigração ao Brasil pós Segunda Guerra foi marcada por profissionais com maior grau de especialização. Eram comerciantes, médicos, advogados, engenheiros e técnicos em diversas áreas da indústria (Carnier Júnior, 2000, 62).
Havia mudado o tipo de imigrante. O Brasil em acelerado processo de industrialização deixava de
querer os braços de colonos e passava a atrair o conhecimento de técnicos (Carnier Júnior, 2000,
62)

Estudar esse processo do ponto de vista étnico é um exercício complexo, pois por muito tempo os
sérvios foram denominados iugoslavos, muitas vezes uma denominação confundindo-se com a
seguinte, o que também incluiria nesse contexto outras etnias.
A historiografia utilizada para essa pesquisa documenta ricas informações sobre a complexa história da Sérvia, desde o surgimento dos primeiros povos eslavos na região dos Bálcãs até
guerra dos anos 90. Devido ao recorte escolhido para a pesquisa, o período pós 2ª Guerra será
analisado de maneira mais enfática. Serão confrontados os registros em livros com as entrevistas adquiridas durante a pesquisa. O objetivo é fazer uma articulação entre as obras literárias com a história oral.

Conclusão

A pesquisa busca evidenciar as dificuldades que um estrangeiro enfrenta com a arriscada
decisão de imigrar para um país desconhecido. No caso dos sérvios as atribulações começaram antes mesmo do egresso; dificuldades principalmente de natureza política levaram esses imigrantes a optarem pelo exílio. As entrevistas feitas até aqui relatam a repressão exercida pela
ditadura comunista;
Verificam-se, dentro desse contexto, que para o regime existiam somente dois modelos de
cidadãos: os comunistas e os anticomunistas, ou seja, os alinhados e os não alinhados. E é desse último tipo que surgem os nossos sujeitos históricos.

No Brasil são mais de 400 mil entre sérvios e seus descendentes somando todos juntos já a população de Sérvios natos são de 3.210 o último dado de 2001


Referências
- AGUILAR, Sérgio. A guerra da Iugoslávia; Uma década de crises nos Bálcãs. São Paulo: Usina do
Livro, 2003.
- ARARIPE, Luis de Alencar. Primeira Guerra Mundial. In: Magnoli (org.) História das Guerras.
São Paulo: Contexto, 2006.
- BERNARDO, Terezinha. Um Pouco de História . In: Memória em Branco e Negro: Olhares sobre São Paulo. São Paulo: Editora Unesp, 1998.
- BRENER, Jaime Tragédia na Iugoslávia: Guerra e nacionalismo no Leste europeu / coordenação -
SADER, Emir – São Paulo: Atual, 1993.
- CARNIER Jr., Plínio. Imigrantes: Viagem, Trabalho, Integração. São Paulo: FTD, 2000.

- FILIPOVIC, Zlata. O Diário de Zlata. Tradução Antonio de Macedo Soares e Heloísa Jahn . São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
- HOBSBAWM, Eric (org.). "História do Marxismo", volume 11. São Paulo: Paz e Terra. 1987.
- JACOMINI, Márcia Aparecida. Guerra da Bósnia: Restauração Capitalista num Mundo Globalizado.
São Paulo: Moderna, 1998.
- MAGNOLI, Demétrio. União Européia. História e Geopolítica. São Paulo: Moderna, 1994.
- ROZMAN, Slavko Rukavina. A Escalada de Malo. Porto Alegre: Nova Prova 2007.
- SALVATICI, Silvia. Relatando a Memória. Identidades Individuais e Coletivas na Kosovo de Pós-Guerra: Os Arquivos da Memória. Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados em História e do Departamento de História. São Paulo: EDUC, Julho 2003.
- TOTA, Pedro. Segunda Guerra Mundial. In:
Magnoli (org.) História das Guerras. São Paulo:
Contexto, 2006






AEROPORTOS


Aeroporto Nikola Tesla
Beograd 59
Tel: 381 (11) 209-4444

COMO CHEGAR

A maneira mais comum de se chegar a Belgrado é por avião. Operam para o destino empresas aéreas como a Jat Airways, Air France e Lufthansa. O Aeroporto Nikola Tesla fica a 18 km do centro da cidade. Há saída de ônibus regulares de lá para pontos estratégicos da cidade e vice-versa. Ignorar os taxistas do aeroporto e ligar para pedir um táxi é duplamente vantajoso: o turista não será explorado e as companhias costumam dar descontos de 20% para quem pede por telefone. É o caso da Lux Taxi, tel. 381 (11) 303-3123 e da Beogradski Taksi, tel. 381 (11) 9801.

Mas chegar de trem à capital sérvia pode ser uma experiência ainda mais interessante. O contraste entre a parte nova e a velha é gritante e pode ser visto na entrada da cidade: a parte nova e moderna possui mais miséria nas ruas do que o lado velho e menos reformado. A antiquíssima estação de trem central data de 1884 e possui guardador de bagagens. Esse lugar e a estação de central de ônibus são dos poucos lugares da cidade onde vale ficar atento a carteiras e bolsos. De lá para o centro não são mais de 15 minutos de táxi ou trólebus.




Belgrado também possui uma eficaz rede de ônibus de viagem que a liga a diferentes pontos da Europa. Cruzar a fronteira de ônibus, no entanto, pode ser um pouco cansativo, uma vez que se corre o risco de descer e ter a bagagem inspecionada.

Fora da temporada de inverno, é possível chegar à cidade de barco. A capital sérvia é cortada pelos rios Sava e Danúbio, e recebe turistas provenientes do Mar Negro e Mar do Norte, por exemplo.

INFORMAÇÃO E SERVIÇO

Visto ? Brasileiros precisam de visto para entrar na Sérvia. A representação diplomática do país no Brasil que emite vistos para turistas é a embaixada, em Brasília. O visto pode ser retirado pelo correio e demora cerca de 15 dias para ficar pronto. Tem custo simbólico. Embaixada da República Sérvia no Brasil. Tel: (61) 3223-7272. Seg. a sex., das 9h às 15h.

Controle de imigração ? Imigração rígida e organizada. Assim que tenta se cruzar a fronteira, principalmente por terra, a polícia de imigração pede passaportes para checar o visto e comunica imediatamente a uma central que confirmará se o nome do turista está no sistema como apto a entrar no país.





Informações sobre o país

Nome nativo: Србија

Nome em inglês: Serbia

Capital: Belgrado

Regime: República Federal

Idioma: Sérvio e dialetos regionais


DADOS PRINCIPAIS:

Área: 88.361 km²
Capital: Belgrado
População: 7,4 milhões (estimativa 2005) * exclui Kosovo
Nome Oficial:  República da Sérvia
Nacionalidade: sérvia
Governo: República com forma mista de governo
Divisão administrativa: 29 distritos administrativos, capital (Belgrado), uma província autônoma (Voivodina) e a província de Kosovo que esta sob administração da ONU.

GEOGRAFIA:

Localização: sudeste da Europa
Cidades Principais: Belgrado, Novi Sad, Nis, Pristina, Kragujevac.
Clima: mediterrâneo

DADOS CULTURAIS E SOCIAIS:

Composição da População: sérvios, albaneses, húngaros, bósnios, croatas, ciganos, eslovacos, búlgaros e romenos. 
Idioma: sérvio
Religião:  cristianismo (65%), islamismo (17,8%), sem religião (12,5%) e ateísmo (3,2%).

ECONOMIA:

PIB (Produto Interno Bruto): US$ 79 bilhões (estimativa 2011)
PIB per capita: US$ 10.700 (estimativa 2011)
Força de trabalho: 3,35 milhões (2010)
Moeda: dinar sérvio

Outras Informações sobre Sérvia: site oficial do governo da Sérvia (em inglês)

Embaixada no Brasil 

 Embaixada da República da Sérvia - Brasília - DFEndereço:SES - Av. das Nações, quadra 803, lote 15Cidade:BrasíliaEstado:Distrito FederalCep:70409-900Telefone:(0xx61) 3223-7272 e (61) 3223-7721 Fax:(0xx61) 3223-8462 Email:embaixadaservia@terra.com.br
Expediente(s): segunda a sexta-feira - 09:00 - 15:00 h
Horário Consular: 09:00 - 13:00 h

Consulados no Brasil 

 Consulado Honorário da Sérvia - Curitiba - PREndereço:Av. Presidente Kennedy, 860 - Bairro RebouçasCidade:CuritibaEstado:ParanáCep:82530-230Telefone:(0xx41) 3332-8383 Email:eramon@bighost.com.br 

 Consulado Honorário da Sérvia - Rio de Janeiro - RJEndereço:Estrada das Canoas, 885 - São Conrado - Rio de JaneiroCidade:Rio de JaneiroEstado:Rio de JaneiroCep:22610-210Telefone:(0xx21) 3322-5848 Fax:(0xx21) 3322-58487 Email:martins.costa@trx.canada.com

 Consulado Honorário da Sérvia - Porto Alegre - RSEndereço:Rua D. Pedro II, 1411 - Edif.Cônsul Édison Freitas de Siqueira - Bairro HigienópolisCidade:Porto AlegreEstado:Rio Grande do SulCep:90550-143Telefone:(0xx51) 3358-0500 Fax:servia@edisonsiqueira.com.br
Jurisdição: RS/SC/PR

 Consulado Honorário da Sérvia - São Paulo - SPEndereço:R. Cordisburgo, 215 - Bairro Jardim LeonorCidade:São PauloEstado:São PauloCep:05614-090Telefone:(0xx11) 3372-3875 Fax:consulado@fator.net
e-mail: jg@fator.net

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