quarta-feira, 10 de outubro de 2012

FUTEBOL ONU aponta caminhos para que Brasil realize uma Copa do Mundo verde



O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) fez uma série de recomendações com base no desempenho da África do Sul no mundial de 2010. Maior desafio do Brasil é coordenar ações federais, estaduais e locais.
Após reuniões com autoridades brasileiras, representantes do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) apresentaram recomendações para que a Copa do Mundo de 2014 tenha um desempenho ambiental sem precedentes.
As recomendações vieram seguidas da apresentação de um relatório independente produzido pelo órgão sobre o desempenho ambiental da África do Sul durante a Copa do Mundo de 2010, a partir do chamado programa "Gol Verde 2010" (Green Goal 2010), que previa ações como o corte na pegada de carbono, redução do uso de água, menor produção de resíduos e conservação da biodiversidade.
Como resultado, o relatório apontou que a pegada de carbono – ou medida do impacto que as ações humanas têm na emissão de gases do efeito estufa – do mundial de 2010 chegou a 1,65 milhões de toneladas de CO2eq – a estimativa era de 2,64 milhões de toneladas. Esse desempenho, segundo o PNUMA, está relacionado a algumas razões, como o número de visitantes menor do que o previsto, esquemas de caronas e alternativas eficientes de estadia, uso de energia solar e de outras formas de energia renovável.
Além de identificar iniciativas bem sucedidas, o relatório apontou a falta de foco ao se tratar de questões ambientais na fase de planejamento da Copa do Mundo. Segundo o estudo, um resultado melhor poderia ter sido obtido se a África do Sul tivesse colocado prioridades ambientais no projetos mais cedo.
"Um aspecto crucial e que é um desfio para todos os organizadores de olimpíadas ou de copas do mundo, é colocar as ações ambientais em prática logo no início", disse o porta-voz do Pnuma Nick Nuttall, durante entrevista coletiva nesta terça-feira (09/10), em Brasília.
Recomendações para o Brasil
Com base na avaliação, o PNUMA elaborou uma lista de ações que deram certo e que merecem ser replicadas, como a clareza e vinculação legal das diretrizes ambientais. Cláudio Langone, Coordenador da Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade para a Copa do Mundo 2014 do Ministério dos Esportes, mencionou a certificação ambiental dos estádios como uma recomendação da FIFA que acabou sendo transformada em obrigatoriedade.
"O primeiro ponto que todos os estádios observaram foi o reaproveitamento do material de demolição. Praticamente todos os projetos chegaram a uma solução muito interessante, que foi reaproveitar esse material como base na própria obra", detalhou Langone.
Ele também mencionou outras iniciativas sustentáveis que contribuem para a obtenção do certificado: iluminação eficiente com lâmpadas que consomem menos energia e sistema de acionamento e desligamento automático, equipamentos hidráulicos, sistemas de reservatórios para captação de água de chuva e irrigação, além de uso de materiais certificados comprados localmente.
O relatório do Pnuma também recomendou elaboração de um compromisso formal de todas as partes envolvidas na organização do evento, além da geração de dados ambientais para que a avaliação possa ser feita de maneira mais completa.
Complexo sistema político e engajamento
A distribuição dos jogos da Copa em 12 cidades-sede e a organização federativa do país pode ser um fator complicador no processo de gestão e tomada de decisão para a Copa. "O Brasil tem uma estrutura que envolve o governo central, governos estaduais e autoridades locais, e isso é um grande desafio", disse Nuttall, quando perguntado sobre o qual seria, na avaliação do órgão, o maior desafio do Brasil.
Cláudio Langone disse que o fato de o Brasil ter começado com bastante antecedência a elaboração de projetos sustentáveis não garante o sucesso, mas que o engajamento desses diversos atores é essencial. "Uma parte significativa dessas diretrizes nacionais depende muito do engajamento dos governos locais", reconheceu Cláudio, e acrescentou que já há câmaras temáticas instaladas em todas as cidades-sede para facilitar o processo de decisão.
O governo brasileiro também avalia que, além das autoridades, os visitantes que vão acompanhar a Copa também precisam estar engajados para que os projetos sustentáveis sejam aproveitados completamente, e o Passaporte Verde, ferramenta lançada pelo Pnuma em junho, terá papel de destaque. Os detalhes da utilização do Passaporte Verde durante a Copa ainda estão sendo definidos, mas ele rastreará a adesão do torcedor com as iniciativas de sustentabilidade.
Autora: Ericka de Sá, de Brasília
Revisão: Francis França



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