domingo, 9 de setembro de 2012

Imigração inglesa no Brasil e sua contribuição no desenvolvimento do país.



Os ingleses começaram a chegar muito cedo aos países das Américas - Latina e do Sul - ainda na época das grandes navegações. Não vinham propriamente como imigrantes, mas sob a forma de negociantes e aventureiros, ou mesmo piratas. No Brasil, eles acabaram alcançando larga influência econômica, que foi muito acentuada entre 1835 e 1912, quando começou a declinar, muito lentamente.

A influência britânica sobre a vida, a paisagem e a cultura do Brasil foi largamente estudada por Gilberto Freire, que define as relações entre a Grã-Bretanha e o Brasil ainda semicolonial como "mais ou menos imperiais". E cita, entre os efeitos da sua influência, o terno branco, o chá, a cerveja e o uísque, o bife com batatas, o pijama de dormir, o tênis e o futebol, a capa de borracha, os piqueniques, o escotismo, o lanche e o sanduíche.






Isso sem contar as inúmeras palavras inglesas incorporadas à nossa língua, que se anglicizou em todos os seus setores, ganhando verbos como chutar, driblar, boicotar, boxear, esbofetear, liderar. São ingleses o craque, o turfe, o iate, o esnobe, o rum, o cheque, o alô, o pudim, o revólver, o urra.

A presença dos ingleses em todos os setores econômicos chegou a provocar, nos fins do século passado [N.E.: século XIX], uma certa antipatia entre os brasileiros, que de certa forma os enxergavam como "colonialistas". É dessa época uma antiga trovinha de autor anônimo, cantada pelos moleques enquanto corriam atrás dos "misters":




Não se pesca mai de rede
Não se pode mai pescá
Qui já se sabe a nutiça
que os ingrês comprou o má

De qualquer forma, a influência inglesa no progresso industrial brasileiro pode ser medida pelas suas iniciativas nesse campo. No Brasil, as primeiras fundições modernas, o primeiro cabo submarino, as primeiras estradas de ferro, os primeiros telégrafos, as primeiras moendas de engenho moderno de açúcar, a primeira iluminação a gás, os primeiros barcos a vapor, as primeiras redes de esgoto foram, quase todas, obras dos ingleses.




Em Santos não foi diferente. Também tivemos um pirata inglês (Edward Fenton, que desembarcou na Vila em 1583), comerciantes, aventureiros e viajantes escritores, que deixaram gravadas em livro suas impressões sobre a região. Mas a colônia inglesa começou a formar-se a partir da metade do século passado [N.E.: século XIX], com a instalação da São Paulo Railway, da Companhia City, da Western Telegraph, a Royal Mail e outras firmas de origem britânica.

A influência dos ingleses voltou-se principalmente para o campo dos serviços públicos - energia elétrica, transportes coletivos e ferrovias. Para se ter uma noção da importância dos ingleses na economia da Cidade, basta lembrar que, durante esse período, aqui foram instaladas agências de três bancos ingleses: o London and Brazilian Bank, o British Bank of South America e o London and River Plate Bank.




Hoje, a colônia é pequena. A partir dos anos 1960, muitas companhias foram fechadas, e outras incorporadas por empresas brasileiras. Mas ficou marcada na Cidade a presença dos ingleses, nas construções de seus clubes e associações, na tradição de pontualidade e eficiência de seu trabalho ("No tempo dos ingleses funcionava...").

O consulado, fundado em 1862, é hoje dirigido por Donald Kealman, e entre os ingleses residentes em Santos, há pelo menos cinco que receberam medalhas oferecidas pela rainha Elizabeth por serviços prestados no Brasil. Ativa, a colônia santista colabora com várias obras de caridade, inclusive com a Real Legião Britânica, organização mundial que assiste os combatentes que sofreram as conseqüências das duas grandes guerras.

A pontualidade inglesa foi experimentada pelos santistas, que costumavam acertar seus relógios pela torre da Western Telegraph Company, que funcionou em Santos de 1873 a 1973. Era tradicional o relógio instalado no alto do prédio do Largo Senador Vergueiro, onde estava instalado o "telégrafo inglês".

A estação da "Inglesinha" (estação do Valongo) ainda conserva em sua fachada os três leões que vieram importados da Inglaterra, para a inauguração da ferrovia. No José Menino, a igreja anglicana, cercada de arvoredo, é uma construção em puro estilo inglês, assim como o chamado Clube dos Ingleses (Santos Atlético Clube).


Junto ao mercado, uma área ainda é conhecida como "antigo cemitério dos ingleses", ou "cemitério protestante", e os viajantes ainda se lembram com saudade da chegada dos navios da Royal Mail. A Vila Inglesa, construída em Cubatão para os funcionários da Usina Henry Borden, da Light, conserva o aspecto de uma cidade inglesa, assim como a estação de Paranapiacaba, no alto da Serra do Mar, onde inclusive foi gravada uma novela em estilo de suspense inglês.

A Maçonaria, no final do século passado [N.E.: século XIX], tinha inspiração inglesa, e em Santos foi criada a Lodge of Wanderers, que reunia os ingleses maçons. E a Missão dos Marinheiros, cuja casa de Santos é a única do Brasil, tornou-se conhecida por marinheiros do mundo todo que aportam no cais.



Quando se fala em bondes, água, gás e luz, os ingleses são logo lembrados. Ou melhor, é lembrada a antiga Companhia City. Em maio de 1881, quando foi fundada The City of Santos Improvements Company, Santos não passava de um pequeno povoado, encravado entre o mangue, o mar e a floresta.

Os serviços de gás e água tiveram início em 1870, quando a Companhia de Melhoramentos de Santos recebeu concessão municipal. Na mesma época, começaram a funcionar quatro empresas de transporte, que trabalhavam precariamente, com bondes de burros, nos municípios de Santos e e São Vicente. A City foi o resultado da fusão dessas empresas em uma só.

Em 1894, não existia o serviço de eletricidade. A iluminação pública era feita por meio de lanternas, que no início tinham simples bicos de gás abertos. Mais tarde, esses bicos foram substituídos por véus, modificação que marcou o início da iluminação conhecida como incandescente.

Por essa época existiam cerca de 300 lampiões a gás, que tinham de ser acesos um a um, ao pôr-do-sol, para serem apagados ao amanhecer. A concessão dada pela Prefeitura à City dizia que "os lampiões deviam ser acesos todas as noites, mesmo as de luar".

Em 1888, já sob a direção da City, funcionavam ainda em Santos os bondes de burro. O primeiro bonde elétrico circulou no dia 28 de abril de 1909. Em 1928, surgiram os famosos amarelinhos, os primeiros ônibus a circularem pela Cidade, também por obra da City.





A escalada da Serra, com a S.P. Railway

O primeiro projeto para a construção de uma estrada de ferro ligando São Paulo ao Porto de Santos foi feito por um inglês - o engenheiro Robert Stephenson, filho de George Stephenson, que foi o inventor da primeira locomotiva e construtor da ferrovia que liga Manchester a Liverpool, precursora das estradas de ferro no mundo. Esse primeiro projeto, contudo, foi considerado prematuro e abandonado, devido às dificuldades que apresentava a travessia da Serra do Mar.

Vinte anos mais tarde, por iniciativa de produtores paulistas, o governo imperial concedeu à companhia encabeçada por José Evangelista de Souza, então Barão de Mauá; José da Costa Carvalho, Marquês de Monte Alegre; e conselheiro José Antônio Pimenta Bueno, Marquês de São Vicente; o privilégio de 90 anos para a construção, uso e gozo de uma estrada de ferro que ligasse Santos a São Paulo.

A linha projetada deveria seguir daqui para Noroeste, com destino a Jundiaí, importante centro produtor. Mas para projetar o trecho da serra, que aos brasileiros parecia intransponível, foi chamado o maior técnico conhecido nessa ocasião: o engenheiro ferroviário inglês James Brunlees, que, por sua vez, chamou outro engenheiro, Daniel Makinson Fox, responsável pela construção de ferrovias nas montanhas ao Norte do País de Gales e nas encostas dos Pireneus.

Depois de anos de estudo, foi iniciada em maio de 1860 a construção da São Paulo Railway, que, sob a denominação de São Paulo Railway Company, explorou o tráfego entre Santos e Jundiaí até 13 de outubro de 1946, quando a estrada foi incorporada ao patrimônio da União, com o nome de Estrada de Ferro Santos a Jundiaí.

As dificuldades da transposição da Serra foram contornadas pelos engenheiros ingleses com um sistema que já havia sido empregado com sucesso na Inglaterra: os trens subiriam a serra por meio de cabos. E, apesar de todas as dificuldades de exploração do terreno, inclinação de 800 metros até o alto da serra, e a necessidade de cortes e aterros, desvio de águas e escavação de rochas, a São Paulo Railway, com seus cabos inclinados sobre a serra, foi entregue ao tráfego em 1867.

Entretanto, devido ao desenvolvimento da zona servida pela estrada, a São Paulo Railway começou a estudar a construção de uma nova ferrovia, com melhores técnicas. E iniciou-se, em 1895, a construção de um segundo conjunto de planos inclinados, constituído pelos chamados "cabos sem fim". Os primeiros trens começaram a circular por esse funicular a partir de 1900. Da estação de Paranapiacaba, os trilhos seguem até Jundiaí, depois de atravessar a zona industrial.




Esporte, lazer, religião. O jeito britânico de viver

A partir dos anos 60, os ingleses começaram a voltar para seu país. Por essa época foram fechadas muitas firmas de origem britânica, que já se haviam tornado tradicionais na cidade. O Banco de Londres, a City, a Light, a Western, a Royal Mail, a Holder Brother, a Blue Star Lines, a Shaw Saville, a Thorton, ficaram conhecidas dos santistas como resultado do trabalho dos ingleses em Santos.

Para morar, eles geralmente escolhiam São Vicente. Tanto as famílias como os rapazes que trabalhavam nos bancos e nas empresas britânicas, e que dividiam quartos em repúblicas. Mas foi em Santos que ficaram as instituições criadas pelos ingleses. Seus clubes, sua igreja, seu trabalho missionário pelos marinheiros.

Hoje, eles são bem poucos, e já vai longe o tempo em que a City deixava à disposição da colônia um bonde, que levava os ingleses às festas promovidas em São Vicente pelo Clube Anglo-Americano. O bonde saía da Ponta da Praia e seguia até o ponto mais próximo do clube, ali permanecendo até a festa acabar. Hoje, as festas são realizadas nas casas das famílias remanescentes, e as festas nacionais, como o aniversário da rainha, são comemoradas em São Paulo, no Consulado Geral.




Um lar para os marinheiros

Como uma lembrança da atuação da colônia inglesa no início do século [N.E.: século XX], funciona na Rua Floriano Peixoto, 241, a Flying Angel House, da Associação Missão aos Marinheiros, presidida por Richard L. Smith e administrada pelo reverendo Walter Frank Snedker. Marinheiros do mundo todo, independentemente de raça, credo ou nacionalidade, conhecem o emblema do anjo voador, símbolo da casa onde podem procurar um ambiente amigo e acolhedor, onde passar o tempo que ficarem em Santos.

A finalidade da Associação Missão aos Marinheiros é dar assistência espiritual, moral e social aos marinheiros, e para isso mantém contato com médicos, hospitais, hotéis e entidades como os Alcoólatras Anônimos, os Neuróticos Anônimos, a CVV - Samaritanos (criada pelo pastor inglês Chad Varah) etc. Na Flying Angel House os marinheiros encontram um local próprio para relaxar da tensão provocada por longo tempo passado em alto mar, lendo, conversando, jogando tênis de mesa, sinuca, ou indo à praia, participando de excursões turísticas pela Cidade e comendo um bom churrasco preparado na missão.

Mas não é só isso. Na Missão dos Marinheiros, os marujos podem procurar apoio para a resolução de qualquer problema, mesmo os mais graves, através de contatos com o mundo todo. Podem aperfeiçoar os seus conhecimentos, estudando no Colégio do Mar, organização internacional sediada em Londres, à qual é filiada a Missão. E podem comunicar-se com o mundo todo, através das agências da Associação Marítima Cristã Internacional.

Primeiro, no Centro - A Missão dos Marinheiros, cuja casa de Santos é a única no Brasil, foi fundada no início do século [N.E.: século XX], e começou a funcionar em 1915, em um prédio da Praça da República. Em 1943, transformou-se em uma entidade brasileira, com o nome de Associação Missão dos Marinheiros, mas sempre sob os auspícios e inspiração da Missão dos Marinheiros de Londres.

Em 1967, a Missão mudou-se do Centro para a R. Floriano Peixoto, na casa que tomou o nome de Flying Angel House, onde se encontra até hoje. Esteve sempre ligada à igreja anglicana de Santos, que durante muito tempo foi conhecida como "a capela da Missão dos Marinheiros", e onde os marinheiros costumam comparecer para os ofícios religiosos, celebrados sempre em duas línguas: português e inglês.




Um templo inglês do século XVIII

Aquela igreja bonita, com paredes de pedra e cercada de árvores, conhecida como "capelinha dos ingleses" ou "capelinha dos marinheiros", é o templo da igreja anglicana em Santos. Situada bem em frente ao Orquidário, a igreja transformou-se num dos pontos turísticos da Cidade, e os estrangeiros, além de fotografá-la, costumam procurá-la para o culto.

Fundado por volta de 1916 e consagrado a 21 de abril de 1918, o templo era freqüentado pela colônia inglesa, pelos marinheiros que ficavam algum tempo em Santos e por turistas estrangeiros. Nessa época, era jurisdicionado pelo bispo anglicano de Buenos Aires, e só nos anos 1970 foi incorporado à Igreja Episcopal do Brasil (nome oficial da igreja anglicana brasileira). Há 21 províncias anglicanas no Brasil, e Santos é a 19ª.

Hoje em dia, a freqüência é formada por muitos santistas, embora o culto seja celebrado em dois idiomas: às 10 horas em inglês, pelo reverendo Walter Frank Snedker, da Missão dos Marinheiros; e às 18 horas pelo reverendo Rodolfo Garcia Nogueira, reitor da paróquia.

Em arquitetura neogótica, a Igreja de Todos os Santos (All the Saints Church) é uma réplica exata de um templo inglês do século XVIII, e o seu interior tem todas as características das antigas igrejas anglicanas: os bancos, de carvalho, que vieram da Inglaterra e pesam quase 120 quilos cada um; a ausência de imagens, quadros ou pinturas nas paredes; a simplicidade da decoração; a divisão do espaço em nave (onde ficam os fiéis), presbitério (onde sentam-se os presbíteros), e santuário (onde é ministrada a comunhão).

Nas paredes, pedras de mármore com a inscrição dos nomes dos membros da comunidade religiosa que morreram nas duas guerras mundiais. Tudo muito simples e muito bonito, como as cerimônias anglicanas celebradas aos domingos e às quintas-feiras.

Segundo o reverendo Nogueira, a igreja é muito procurada para casamentos, devido à beleza da cerimônia, que segundo ele, é significativa e também romântica. Os anglicanos aceitam o divórcio (não o desquite), e por isso lá também são celebrados casamentos de divorciados. Entretanto, a procura não é muito grande, já que são feitas algumas exigências, para que o sacramento não perca o seu verdadeiro significado.

Em seu escritório, ao lado do templo, o reverendo Nogueira guarda algumas preciosidades, como o valioso presente que recebeu do bispo de Santos, D. David Picão, por ocasião da Páscoa: um exemplar do fac-simile do Manuscrito do Codici Vaticanus, documento que data do século IV, ofertado pela Biblioteca Apostólica do Vaticano. É um exemplar manuscrito do Novo Testamento, em grego, com caracteres unciais (maiúsculas), em três colunas com 42 linhas, em pele de antílope africano.

Cricket e rugby na hora do lazer

No dia 8 de agosto de 1889, quando ainda havia muitos ingleses em Santos, foi fundado o Santos Atlético Clube, que até hoje é conhecido por todos como o clube "dos ingleses". Os fundadores, todos súditos britânicos, tinham à frente o australiano Alexandre Kealman, que foi o primeiro secretário do clube, e Alfred Sell, que foi o primeiro presidente.

Freqüentado por funcionários das empresas inglesas radicadas em Santos, o clube dos ingleses filiou-se à Federação Paulista de Tênis e à Federação de Bridge. Em suas quadras já foram praticados quase todos os esportes tipicamente britânicos, como o cricket, o rugby, o bowls, e também futebol, tênis, basebol, tiro ao alvo.

Hoje, além do futebol e do tênis, é muito freqüentada a quadra de bowls (bocha), e o stand de tiro ao alvo. O clube tem três campeões brasileiros desse esporte: Yain Ritch, Alfredo Lalia Filho e Yain Andrew Filho.

A atual diretoria é dirigida por Dennis Edward Collard, e a presença mais famosa no clube está registrada em seus arquivos: foi a de Rui Barbosa, que esteve em Santos e foi ao clube para participar das comemorações do aniversário da rainha.




O príncipe jogou no Golf Club

O Santos São Vicente Golf Clube é outra invenção da antiga colônia inglesa em Santos. Um dos esportes favoritos dos britânicos, o golfe, jogo de origem escocesa, era praticado de maneira precária, na praia. Até que um grupo de adeptos, todos ingleses, e liderados por Henry L. Wright, resolveu reunir-se para fundar um clube onde pudessem praticar o golfe em suas horas de lazer.

Com o auxílio de várias firmas inglesas instaladas em Santos, foi comprado, em 1915, um terreno em
São Vicente, pertencente a uma família alemã, em cujas construções, todas em madeira, foi instalada a primeira sede. Wright, o principal fundador, foi presidente de honra do novo clube até 1928.

No princípio, o Golf era bastante fechado, e freqüentado quase exclusivamente por ingleses e americanos. Em 1941 foi eleito o primeiro presidente brasileiro, Álvaro de Souza Dantas, mas só a partir de 1948 os brasileiros começaram a freqüentar o clube para jogar golfe.

Em 1958, foi aberto um livro de ouro, destinado à construção da nova sede, inaugurada a 21 de abril de 1961. Com uma área de aproximadamente 6 quilômetros para o jogo, uma sede com estilo e decoração inglesa, quadras de tênis e piscina, o Santos São Vicente Golf Clube é freqüentado hoje por sócios de várias nacionalidades. O atual presidente é Janusz Szczpanowski.

Visita do príncipe - Um dos principais pontos de encontro da colônia inglesa, em 1931, ainda na antiga sede, o Golf recebeu seu mais importante jogador: o príncipe de Gales, que, em visita ao Brasil, foi até o clube para uma partida. Bom jogador, o príncipe conseguiu fazer um ponto difícil, embocando a bola número 6 em uma única pancada.

Tradicionalmente, quem consegue fazer isso deve pagar bebida para todos. Mas como essa atitude não poderia ser tomada por um príncipe, devido ao protocolo, seus companheiros de jogo só foram beber o drink comemorativo algum tempo depois, quando o príncipe de Gales enviou ao clube duas caixas de scotch.

Esporte envolvente - Os jogadores de golfe passam a maior parte de seu tempo falando sobre jogadas. O vocabulário é quase todo inglês - greens (gramados), tees (canteiros), bunkers (obstáculos), driving (alvo), scratch (partida), swing (movimento do corpo) etc. - e uma partida demora em média três horas, talvez um pouco mais durante os campeonatos. No total, é preciso acertar em 18 buracos.

As temporadas são fixas, começando em abril e fechando em dezembro. No Golf Clube, são organizados campeonatos abertos, profissionais, amadores e de senhoras, nas quatro categorias do esporte. A próxima competição é a Taça Presidente para amadores.


Paranapiacaba é um distrito do município de Santo André, no estado de São Paulo, no Brasil. Surgiu como centro de controle operacional e residência para os funcionários da companhia inglesa de trens São Paulo Railway, companhia esta que operava a estrada de ferro que realizava o transporte de cargas e pessoas do interior paulista para o porto de Santos e vice-versa.
A São Paulo Railway inaugurou sua linha férrea em 1º de janeiro de 1867. Ela, primeiramente, serviu como transporte de passageiros; também serviu como escoamento da produção de café da província paulista para o porto de Santos. Em 1874, foi inaugurada a Estação do Alto da Serra, que, mais tarde, seria denominada Paranapiacaba.
No ano de 1898, foi erguida uma nova estação com madeira, ferro e telhas francesas trazidos da Inglaterra. Esta estação tinha, como característica principal, o grande relógio fabricado pela Johnny Walker Benson, de Londres, que se destacava no meio da neblina muito comum naquela região.
Com o aumento do volume e peso da carga transportada, foi iniciada em 1896 a duplicação da linha férrea, paralela à primeira, a fim de atender à crescente demanda. Essa nova linha, também denominada de Serra Nova, era formada por 5 planos inclinados e 5 patamares, criando um novo sistema funicular. Os assim chamados novos planos inclinados atravessavam 11 túneis em plena rocha, enfrentando o desnível de 796 metros que se iniciava no sopé da serra, em Piaçagüera, no município de Cubatão. O traçado da ferrovia foi retificado e suavizado e ampliaram-se os edifícios operacionais. A inauguração deu-se em 28 de dezembro de 1901.
A primeira estação foi desativada e reutilizada, posteriormente, como cooperativa dos planos inclinados. A 15 de julho de 1945, a "Estação do Alto da Serra" passa a se denominar "Estação de Paranapiacaba". A 13 de outubro de 1946, a São Paulo Railway foi encampada pela União, criando-se a "Estrada de Ferro Santos-Jundiaí". Somente em 1950 a rede passa a unir-se à Rede Ferroviária Federal.
Em 1974, é inaugurada o sistema de cremalheira aderência. No ano de 1977, a segunda estação foi desativada, dando lugar à atual estação. O relógio foi transferido do alto da estação anterior para a base de tijolo de barro atual. A 14 de janeiro de 1981, ocorreu um incêndio na antiga estação, destruindo-a completamente. O sistema funicular foi desativado em 1982. Em 2010, o Correio fez lançamento de selo postal ostentando o patrimônio ferroviário de de Paranapiacaba.



Trata-se da exibição das máquinas fixas do quinto patamar da segunda linha e a do quarto patamar da primeira linha, que transportavam o trem por meio do sistema funicular.
No museu, há, também, a exposição de diversos objetos de uso ferroviário, fotos e fichas funcionais de muitos ex-funcionários da ferrovia.

A igreja de Paranapiacaba, em sua origem, chamou-se de Capela do Alto da Serra, e recebeu licença quinquenal para celebração de missas pela primeira vez em 8 de agosto de 1884.
Sua construção foi iniciada naquele ano. A 2 de fevereiro, foi eleita uma comissão de obras e a pedra fundamental da igreja foi lançada no dia 3 de fevereiro de 1884. Antes da capela propriamente dita, a localidade contava com um oratório, cujo registro mais antigo data de 1880.
A igreja teve, como padroeiro, o Bom Jesus. Com a criação da paróquia de Ribeirão Pires em 1911, a igreja do Bom Jesus do Alto da Serra passa a ser ligada a ela; hoje, a igreja de Paranapiacaba é anexada à paróquia de Rio Grande da Serra.

Essa residência, também denominada de "Castelinho", situa-se entre a Vila Velha e a Vila Martin Smith.
Localizada no alto de uma colina, com uma excelente vista privilegiada para toda a vila ferroviária, foi construída por volta de 1897 para ser a residência do engenheiro-chefe, que gerenciava o tráfego de trens na subida e descida da Serra do Mar, o pátio de manobras, as oficinas e os funcionários residentes na vila.
Sua imponência simbolizava a liderança e a hieraquia que os ingleses impuseram a toda a vila; ela é avistada de qualquer ponto de Paranapiacaba.
Dizia-se que de suas janelas voltadas para todos os lados de Paranapiacaba, o engenheiro-chefe fiscalizava a vida de seus subordinados, não hesitando em demitir qualquer solteiro que estivesse nas imediações das casas dos funcionários casados.
No decorrer de mais de um século de uso, foram feitas várias reformas e tentativas de recuperação de seu aspecto original; as maiores reformulações foram realizadas nas décadas de 1950 e 1960.
Foi restaurado pela prefeitura de Santo André em parceria com a World Monuments Watch.

Esse clube é a união da Sociedade Recreativa Lira da Serra e do Serrano Atlético Clube os dois incentivados pela São Paulo Railway. Sua sede foi edificada na década de 1930, época das últimas construções da SPR, como o antigo II Grupo Escolar, ambos localizados na antiga Praça Prudente de Moraes.
O prédio em madeira, coberto por telhas francesas, possui um hall de entrada que distribui os acessos.
O salão se transformava em quadra de futebol. Por cima do palco, apreciam-se as urdiduras do teto para a sustentação de cenários dos espetáculos que ali ocorriam.

O antigo mercado foi construído em 1899 para abrigar um empório de secos e molhados, e, posteriormente, uma lanchonete. Após muitos anos fechado, foi restaurado pela prefeitura de Santo André e tornou-se um centro multicultural. Com sua posição central privilegiada, permite que os eventos realizados tenham um cenário charmoso na serra.

Casas germinadas dos operários.
Os ferroviários que possuíam família, com esposas e filhos, habitavam casas com maior número de cômodos. Eram construídas em madeira e cobertas por folhas de zinco. Esta tipologia era próxima às geminadas duas a duas.


Casas dos engenheiros Característica da arquitetura hierarquizada de Paranapiacaba, as casas habitadas pelos engenheiros e suas famílias eram de alto padrão. Grandes e avarandadas, foram construídas em madeira nos tempos da São Paulo Railway, com plantas baixas individualizadas; depois, em alvenaria nos tempos da Rede Ferroviária Federal, com mesmo padrão de plantas. Muitas sofreram reformas em vários momentos, principalmente com a chegada da RFFSA.
Uma das caracteríticas que chama a atenção é a cobertura do imóvel, pois somente com estudos elaborados pelos conselhos de reconhecimento, concluiu-se que o material das telhas não era ardósia, e sim fibrocimento, introduzidos provavelmente a partir da década de 50 entre alguma das reformas que sofreram.

Casas dos solteiros na época Características da arquitetura hierarquizada de Paranapiacaba, as casas de solteiros eram conhecidas como barracos.
Foram construídas em madeira, exceto duas em alvenaria.
Essa tipologia foi criada pela São Paulo Railway, e a Rede Ferroviária Federal deu continuidade, construindo-as em alvenaria.
A planta dessas casas possui dormitórios, sanitários e cozinha para pequenas refeições, serviam para alojar o grande fluxo de homens solteiros, que preenchiam as vagas de ferroviários.
Havia poucos sanitários e chuveiros, já que os trabalhadores se revezavam em turnos.

COMO CHEGAR


Por incrível que pareça, é impossível ir de trem à Paranapiacaba nos dias que correm. O sistema ferroviário da vila só está aberto ao transporte de cargas. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), porém, pretende inaugurar, num futuro próximo, um trem turístico que parta da Estação da Luz, no centro de São Paulo, e vá até Paranapiacaba. Enquanto a ideia não sai do papel, as únicas opções de transporte são carro e ônibus (é possível ir de trem até a metade do caminho). As informações abaixo são da prefeitura de Santo André.

Ônibus
Linha 040 - Paranapiacaba, da Viação Ribeirão Pires, parte do Terminal Rodoviário de Santo André (TERSA).

Trem / Ônibus
Embarcar na linha D da CPTM (Luz-Rio Grande da Serra) e descer em Rio Grande da Serra. Ao lado da estação passam ônibus que vão até Paranapiacaba (Viação Ribeirão Pires).

Carro
Seguir pela Via Anchieta até o km 29, entrar na SP 148 (estrada velha de Santos) até o km 33 e pegar a rodovia SP 31 até o km 45,5. Entrar, então, na rodovia SP 122, que vai até Paranapiacaba.


ONDE FICAR


Paranapiacaba oferece boas opções de hospedagem. Há desde as acomodações mais tradicionais, como a Pousada do Artista e a Pousada Shamballah, até hospedarias mais simples (as famosas "bed & breakfast" - cama e café da manhã). As diárias de fim de semana variam de R$ 70 a R$ 120 (o casal). Mas atenção: os preços podem subir consideravelmente durante o Festival de Inverno.

Hospedaria Os Memorialistas - Avenida Fox, 525, tel: (11) 4439-0194

Pousada do Artista - Rua William Spears, 41, tel: (11) 4439-0437

Pousada Estrela da Manhã - Caminho do Mendes, 322, tel: (11) 4439-0128

Pousada Paluan - Rua Campos Sales, 401, tel: (11) 4439-0060

Pousada Shamballah - Rua Rodrigues Alves, 471, tel: (11) 4439-0574

Bed and Breakfast Bela Vista - Rua Rodrigues Alves, 38, tel: (11) 4439-0278

Bed and Breakfast Caminho das Pedras - Rua Nova, 15, tel: (11) 4439-0133

Bed and Breakfast Cantinho do Sossego - Caminho do Hospital Velho, 304, tel: (11) 4439-0035

Bed and Breakfast Castelo dos Sonhos - Rua Alfredo Maia, 499, tel: (11) 4439-0178

Bed and Breakfast Hospedagem Floral - Rua Rodrigues Alves, 37, tel: (11) 4439-0306

Bed and Breakfast Maranata - Avenida Fox, 448, tel: (11) 4439-0351

Bed and Breakfast Pousada dos Anjos - Rua Alfredo Maia, 509, tel: (11) 4439-0490

Bed and Breakfast Vila Nova - Rua Nova 13, tel: (11) 4439-0156

Londrina outra cidade de origem Inglesa

O inglês Simon Joseph Fraser, mais conhecido como lord Lovat, veio ao Brasil em 1924 e visitou o norte do Paraná. Verificou, então, que não havia exagero no que ouvira falar sobre essa região. Em 1925, com outros companheiros, criou a Companhia de Terras Norte do Paraná, diretamente do governo paranaense. Essa companhia iniciou seu trabalho de colonização sob a orientação de ingleses. Estes ingleses, ao observar a névoa característica da mata da região, viram semelhanças com a neblina da cidade de Londres, e a fim de homenagear suas origens denominaram a comarca de "Londrina", que significa "originária de Londres".
A Companhia de Terras Norte do Paraná foi um tipo de loteadora que, após comprar terras, derrubou parte da floresta, abriu estradas e organizou a divisão desse espaço em lotes urbanos e rurais, que foram vendidos. Antônio Moraes de Barros, João Sampaio e Arthur Thomas foram algumas das pessoas que participaram da organização da Companhia de Terras Norte do Paraná para o início dos trabalhos.

Esta propaganda, aliada a outros motivos, como a pobreza e a esperança de vida melhor, fizeram com que muitas pessoas de todo o Brasil (principalmente paulistas, gaúchos e mineiros) comprassem terras ou fossem procurar trabalho no Norte do Paraná. Além dos brasileiros, vieram pessoas da Alemanha, Itália, Japão e outros países. A população atual de Londrina reflete esta mistura de povos.
Em muito pouco tempo, nas décadas de 50 e 60, Londrina obteve um desenvolvimento econômico impressionante, sobretudo pelo plantio de café. No ano de 1961 estimasse que a região foi responsável por cerca de 51% do café produzido no mundo, sendo então chamada de "Capital Mundial do Café". Os fazendeiro, proprietários de grandes extensões de terra, construiram casarões e ficaram conhecidos como os "Barões do Café", e os grãos do café eras conhecidos como "Ouro Verde".

Hospital Santa Casa de Londrina, inaugurado em 7 de setembro de 1944, em um terreno de mais de um hectare, doado pela CTNP

Estima-se que hoje está em torno de 10.000 Ingleses e seus descendentes vivendo no Brasil atualmente.

Hospital Santa Casa de Londrina, inaugurado em 7 de setembro de 1944, em um terreno de mais de um hectare, doado pela CTNP.




Colégio Mãe de Deus: fundado em 3/3/1936. Em17/7/1938 com suas próprias instalações na rua Pará onde permanece até hoje .


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