sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A imigração Islandesa no Brasil

No início dos anos 1860, duas senhoras que viviam na gelada região de Thingeyjarsýsla, no nordeste da Islândia, acalentaram o sonho de migrar para o desconhecido Brasil. Ao saber que a longínqua terra tropical era abundante em açúcar e café, a dupla achou que a vida ao sul do Equador deveria se assemelhar ao Paraíso, decidiu fazer as malas e partir.
Mas, ao serem informadas de que teriam de atravessar o rio Fnjóskár para embarcar em um navio no porto de Akureyri, distante apenas cerca de setenta quilômetros de onde residiam, desistiram da viagem. "É tão difícil atravessar o rio Fnjóskár que vamos ter de abandonar a idéia", teria dito uma das candidatas à epopéia.
De uma certa forma, a história, já integrada ao folclore local, resume parte do espírito islandês: aberto às coisas do mundo, mas extremamente ligado à realidade de sua terra.

O que os neófitos conhecem dessa ilha vulcânica de 60 milhões de anos, isolada às margens do círculo polar Ártico, constituída de desertos de lava, geleiras e águas geotermais, sacudida por tremores de terra, jatos sulfurosos de gêiseres e povoada de escassos mas intensos 319,355 mil habitantes em uma extensão de 103.125 km² (pouco maior do que os 101.023 km² de Pernambuco)?
Provavelmente, que é o berço da mundialmente famosa cantora Björk. Já quem leu Viagem ao Centro da Terra, escrito em 1864 por Júlio Verne, certamente lembrará que foi pela cratera do monte islandês Snaefells que o Dr. Lidenbrock, seu sobrinho Axel e o guia Hans debutaram sua aventura pelas profundezas do globo.
Alguns talvez já tenham ouvido falar das sagas islandesas, relatos em prosa de origem oral escritos anonimamente na Idade Média, um orgulho nacional e patrimônio mundial. Outros ainda devem saber que se trata da pátria do prêmio Nobel de literatura Halldór Laxnness (1902-1998).
A Islândia, para quem desconhece, era até há pouco o primeiro país classificado no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), elaborado pelas Nações Unidas, posto ocupado nos últimos seis anos pela Noruega. A média de suas performances que lhe conferia o invejável título: terceiro maior índice de esperança de vida (81,5 anos), menor taxa de mortalidade infantil (1,3 mortes para cada mil nascimentos), investimento de 8,1% do PIB em educação, índice de analfabetismo praticamente zero, gasto público de 8,3% do PIB em saúde, índice de desemprego de 2,9%, quinto maior PIB por habitante do mundo (U$ 36.510) e apenas um assassinato registrado no ano passado (nenhum ainda em 2008).



Os islandeses que migraram para outras terras, entre elas o Brasil. O maior fluxo de migração islandês se deu entre as décadas de 1870 e 1930, período em que cerca de 30 mil pessoas deixaram o país. Em meados do século 19, a economia local era sustentada na pecuária. Dois fatores relacionados influenciaram na imigração: o esgotamento de terras disponíveis para a criação de ovelhas (principal criação na época); os rigorosos invernos do período entre 1850-1865, que escassearam as forragens e provocaram fome e mortalidade no país.
A maior parte dos imigrantes escolheu o Canadá e os EUA como destino, mas a primeira leva, mesmo que modesta, se aventurou no Brasil. Nesse capítulo, Oddur conta em suas pesquisas com a colaboração do gaúcho Luciano Dutra, 34, radicado na Islândia desde 2002. "Apesar de ser um pequeno grupo, foi o primeiro a imigrar para o continente americano, e o posterior interesse dos demais pode ser atribuído a essa pioneira iniciativa de imigração organizada.
Cerca de 5 mil pessoas se inscreveram como candidatas a rumar para o Brasil, em busca de calor e prosperidade ao sul do Equador. Mas o navio que deveria levá-las à terra prometida nunca apareceu. No início dos anos 1860, 39 islandeses conseguiram finalmente embarcar, alguns faleceram no trajeto e 34 acabaram desembarcando em Dona Francisca (mais tarde Joinville). A parada final seria a colônia alemã de São Lourenço, no Rio Grande do Sul, mas, aconselhados pelos escandinavos residentes em Dona Francisca, os islandeses seguiram para Curitiba, município que despontava e onde acabaram trabalhando na área de carpintaria e construção.

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